Dia da mulher: conheça mulheres na dança que fizeram história!

mulheres na dança
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Pode parecer que não, mas o mundo da dança ainda guarda muitos traços de machismo e papéis de gênero muito bem-definidos. Não à toa muitos bailarinos homens sofrem preconceito quando escolhem uma carreira nos palcos. Mas muitas mulheres na dança tiveram um papel importante em termos de técnica e história.

Bailarinas como Martha Graham, Rosângela Barnabé, Isadora Duncan, Pina Bausch, entre outras marcaram época. Seja por terem inaugurado um novo estilo, seja por terem levado a dança a lugares onde as pessoas não achavam ser possível, essas mulheres tiveram um papel fundamental na história da dança.

Neste mês de março, prestamos homenagem a algumas das melhores bailarinas que os palcos de todo o mundo já viram. Continue a leitura para conhecê-las um pouco melhor!

Rosângela Barnabé

Vamos começar a lista com uma prata da casa. A dança é para todos e todas, e a bailarina e fisioterapeuta brasileira Rosângela Barnabé realmente esticou os limites dessa filosofia. Ela foi a primeira bailarina no país a ensinar dança para pessoas com necessidades especiais.

Em suas aulas, bailarinos com deficiência visual, síndrome de Down e limitações de mobilidade encontram o espaço ideal para se expressarem por meio da dança. Rosângela desenvolve esse trabalho desde a década de 1990 e tem publicações científicas acerca do tema.

Ela também é a fundadora e coreógrafa do Grupo Giro, uma companhia de dança de Niterói (RJ) formada por bailarinos com necessidades especiais. A iniciativa da coreógrafa já inspirou mais de 40 outros grupos por todo o país, que passaram a abrir as portas para expressões artísticas de pessoas com deficiência.

Ingrid Silva

A carioca Ingrid Silva é um exemplo de determinação que leva à realização de sonhos e a conquistas importantes, não só sobre os palcos, mas também fora deles. Nascida em uma família de origem simples, Ingrid começou na dança aos oito anos, em um projeto social da comunidade da Mangueira.

A menina, que desde bem pequena fazia esportes e competia em natação, ginástica e outras modalidades, resolveu fazer uma audição para ver como se saía com as sapatilhas. Sorte nossa, porque a partir daí, Ingrid se revelou um talento nato para o balé!

Ela passou pela escola do Theatro Municipal do Rio de Janeiro e também pelas companhias Deborah Colker (RJ) e Grupo Corpo (MG). Finalmente, aos 19 anos, foi convidada para integrar o corpo de baile do Dance Theater of Harlem, em Nova Iorque.

Negra, ela enfrentou dificuldades no mundo da dança, um ambiente predominantemente composto por pessoas brancas. Uma chuva de críticas por optar pelas meias-calças marrons (no tom da sua pele) e a falta de sapatilhas de ponta próximas ao tom da sua pele foram algumas das questões que ela enfrentou ao longo da carreira.

Em 2019, a bailarina comemorou a chegada de pontas marrons no mercado. Além de uma vitória pessoal, ela considerou essa mudança de mentalidade das marcas de balé uma conquista para todas as bailarinas e futuras bailarinas negras do Brasil e do mundo.

Isadora Duncan

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Se hoje temos os maravilhosos espetáculos do Grupo Corpo, da Deborah Colker e do Momix — entre inúmeros outros exemplos de dança contemporânea — para assistir, temos que agradecer à estadunidense Isadora Duncan (que, na verdade, se chamava Dora Angela Duncanon).

Ela viveu no fim do século 19 e início do 20 e foi responsável por uma verdadeira revolução na dança. Isadora era defensora de uma dança mais livre do rigor e da disciplina do balé clássico. Para ela, a expressão artística deveria se dar em corpos livres e movimentos fluidos, com inspiração na natureza.

Assim, ela inaugurou um estilo inovador de dança, no qual as bailarinas deixavam para trás o coque, os collants e as sapatilhas. Em vez disso, usavam cabelos soltos, vestidos esvoaçantes e pés descalços.

Ela saiu dos Estados Unidos e mudou-se para Londres, onde esperava que o seu trabalho artístico seria mais reconhecido. Mas foi em Paris que Isadora alcançou a fama internacional. Depois, ela viajou basicamente a Europa inteira apresentando os seus espetáculos e passou pelo Brasil em 1916, no Theatro Municipal do Rio de Janeiro.

Martha Graham

A bailarina e coreógrafa Martha Graham promoveu na dança uma revolução tão grande quanto o pintor Picasso levou para as artes plásticas. Contemporânea de Isadora Duncan, Martha Graham também acreditava em uma expressão pela dança mais livre dos rigores do balé clássico.

A grande diferença que marcava o estilo das duas era que, ao contrário de Isadora, Martha não tirava sua inspiração da natureza. Para ela, a performance dos bailarinos deveria vir de dentro de si mesmo, de um profundo conhecimento sobre o seu corpo e os seus sentimentos.

Para Martha Graham, o ser humano era o grande mistério a ser revelado, e ela explorava todo o potencial criativo humano na expressão artística da dança. Por conta dessa abordagem totalmente revolucionária, ela ficou conhecida como a mãe da dança moderna.

Pina Bausch

A alemã Pina Bausch foi aluna de Martha Graham, e decidiu levar os ensinamentos da mestra ainda mais longe. Pina também queria explorar a condição humana no seu trabalho. Mas, muito mais do que isso, a sua expressão artística promoveu uma integração entre o palco e todo o resto do contexto cultural envolvendo as montagens.

Ainda adolescente, ela estudou na Folkwang School, na Alemanha. Nessa época, ela teve contato com outras formas de expressão artística, como a fotografia, o teatro, o design, a escultura, entre outras.

Nessa época, ela percebeu que a dança não é uma forma de arte isolada das outras. Ao contrário, todas as artes podem estar interligadas e compondo uma única obra que será apresentada no palco com técnicas e referências de diferentes domínios.

O trabalho dela também incorporava a música popular nas montagens e figurinos com elementos da moda do dia a dia, como ternos, calças, blazers e vestidos.

Raven Wilkinson

Nas décadas de 1940 e 1950, os Estados Unidos viviam um clima de intensa segregação racial. Nessa época, negros e brancos não podiam frequentar os mesmos lugares, e o movimento de supremacia branca Ku Klux Klan (KKK) fazia vítimas em todo o país.

Foi nesse contexto que Raven Wilkinson, uma das primeiras bailarinas clássicas negras dos EUA, subia aos palcos junto à prestigiada The Ballet Russe de Monte Carlo, uma companhia muito conhecida na época.

Apesar das ameaças constantes da KKK, Raven nunca concordou em esconder a sua raça dos palcos. Certamente, ela é uma das grandes inspirações para bailarinas negras de todo o mundo e tornou a dança um ambiente mais igualitário.

Depois de ler sobre as impressionantes histórias dessas mulheres na dança, temos certeza de que você se inspirou para expressar a sua paixão por essa forma de arte, não é verdade?

Antes de ir correndo calçar as sapatilhas, compartilhe o post nas suas redes sociais e leve esse orgulho para outras bailarinas!

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